sábado, 13 de fevereiro de 2010

Cinetose na PÓS 003


Neste Carnaval o Grupo Cinetose (Mal do Movimento) apresenta a 3ºEdição do projeto Fábrica de Pesadelos na festa PÓS!

PÓS
14 de Fevereiro das 19h30 às 4h
Boca Club
Rua Augusta, 902
Entrada: R$ 10,00


quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Cinetose na 2ª edição da "Pós"

O grupo Cinetose (Mal do Movimento) apresenta na 2ª edição da festa PÓS o projeto Fábrica de Pesadelos - 2ª Edição.

Na festa PÓS, o grupo Cinetose (Mal do Movimento) dedica-se à Fábrica de Pesadelos, projeto performático criado para o ambiente de uma festa, com o intuito de funcionar como um laboratório de experimentações corporais.
Nossa fábrica não possui funcionários, apenas máquinas. Cabe ao grupo medir a sustentabilidade de sua produção, ou seja, o quanto ela consegue manter-se ativo na confecção de signos. Da mesma forma, o pesadelo não tem direção única: mantém-se no limiar entre o assustador e a realização, de acordo com a experimentação de cada corpo.

PÓS
31 de janeiro
Das 19h às 23h30
Boca Club (Rua Augusta, 902)
Entrada:R$ 10,00



Vídeo da estreia da PÒS: Pós e Cinetose 10/01 - Boca Club

sábado, 2 de janeiro de 2010

Cinetose na Pós dia 10/01

Fábrica de Pesadelos - 1ª Edição
Grupo Cinetose (Mal do Movimento)
O Grupo Cinetose (Mal do Movimento) estreia na também estreia da festa Pós o projeto de intervenções Fábrica de Pesadelos, desenvolvido especialmente para este evento.
A cada festa Pós, realizada quinzenalmente a partir de Janeiro, uma nova edição desse projeto será apresentada, ocupando os ambientes internos e externos da casa noturna Boca Club.
Para saber mais sobre a Pós:
Pós
10/01 das 19h às 23h30
Boca Club - Rua Augusta, 902
Entrada: R$ 10,00

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Cinetose - Esperas

Vídeo do trabalho "Esperas" do Grupo Cinetose (Mal do Movimento), gravado no Projeto Teorema do Estudio Nave em 2009.

Orientação: Gabriela Gonçalves

Imagem: Victor Hugo Borges - Humberto Luminati
Sonorização: Flávio Fraschetti
Edição e Pós Produção: Victor Hugo Borges

Agracimento especial: Gabi, Victor-Hugo, Adriana Grechi e Amaury

Download:
FLVMP43GP

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Go Ask Ogre: Letters from a Deathrock Cutter

Por Humberto Luminati

O que você faria se vivesse nos anos 80, enfrentasse uma terrível depressão e gostasse de musica gótica? Se você pensou em escrever milhares de cartas para o vocalista de sua banda favorita, acertou.

O livro “Go ask ogre: letters from a deathrock cutter” trata exatamente disso, uma visão de uma adolescente gótica nos anos 80. A adolescente em questão chama-se Jolene, tem 17 anos e o ano é 1987. Cansada de não conseguir encontrar seu lugar no mundo, a menina decide escrever cartas para Ogre, líder da banda Skinny Puppy e seu ídolo. O habito torna-se uma pequena obsessão, e ela passa a escrever quase que diariamente. O vocalista acaba tornando-se uma espécie de confidente invisível.

No decorrer das cartas, acabamos conhecendo uma menina sensível e depressiva, que também é uma cutter - pessoa que se auto-flagela por motivos diversos. As mudanças e acontecimentos da época muitas vezes fazem parte das emoções sentidas por ela ou simplesmente citados, como o medo da aids, a morte de Andy Warhol e Salvador Dali, bem como a cultura pop, álbuns do Christian Death, Bauhaus, Sisters of Mercy, e filmes de Roman Polanski e outros diretores. As cartas, que mesmo sem essa intenção na época que foram escritas, acabaram por formar um grande panorama do final dos anos 80, principalmente de pessoas que se identificavam com a musica e o estilo gótico.

Essas cartas acompanham a narradora por cerca de três anos, passando do final do ensino médio à faculdade, escritas sempre de forma simples. Algumas vezes, frases quase que desconectas formam um bela visão juntas. Os assuntos são desde o péssimo relacionamento com a mãe, empregos e as drogas - uma carta sobre efeito de ácido está muito interessante. Em todas as cartas uma arte impecável era feita nos envelopes - a arte é reproduzida no livro.

Mais interessante ainda é o fato de Ogre ter guardado todas as cartas e devolvido a autora uma década depois - o que originou o livro.

Hoje Joane é formada em artes, fotografia e design gráfico, além de amiga pessoal de Ogre.

O livro não foi lançado no Brasil, mas é fácil de ser comprado online em lojas como a Amazon, que entrega no Brasil.

Titulo: Go Ask Ogre: Letters from a Deathrock Cutter
Autor: Siana, Jolene
Editora: Process (USA)



quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Cinetose no Festival Contemporâneo de Dança




O Grupo Cinetose (Mal do Movimento) apresenta Esperas no "Teorema Demosntrativo" do Festival Contemporâneo de Dança.


15 de Novembro às 16h na Galeria Olido

Avenida São João, 473 - Centro/SP

Entrada Franca


Esperas

Por Flávio Fraschetti


I
(O encontro)

O que restava de meu rosto
era coberto, pelos panos,
pelas cerimônias amarradas.

Em campos de espelhos,
espero sempre essa chuva
esquecer dos meus olhos.

Assim fazíamos a rotina:
o dia pelas passagens,
a caça pela sede.

Ao longe, um canto certeiro
cercado de luz, a esfera finita
brotando dos olhos ávidos.

E amarro, de nó em nó,
a pele, os dedos, o dia,
os dentes cravados na terra.

Sementes de um azul tão próximo.
Retalha, retalha e amarra
as pernas, os pelos, a pele.

O pano, colado, funde
a chuva emaranhando
a terra sobre os olhos.

Esperando a colheita.
Esperando o passado.
Intactos sob a pele.



II
(A passagem)


Permanecíamos no rastro,
a lama transbordando
sobre a pele trêmula.

Uma luz branca acorda
os olhos vidrados no ato:
dança dos dias mortos.

Faíscas tentam acender o sangue.
Lençóis pelas ruas anunciam
um novo nascer de nuvens
nos trazendo sua loucura,
devorando as fardas
e as chamas do erro.

Recolho as fraturas do tempo:
Encontros engessados
pela sutileza do medo.



III
(O Repouso)


Circula, circula imóvel.
Cava em tuas passagens,
um jamais ultrapassar.

Distante, torna-se
translúcida
grande chegada.

Tateia, tateia a fuga.
Desprende-se da pele,
craveja de pétalas
a carne exposta.

Repousa, destemido e
flutuante em sua glória.
Ao presente inalcançável:
oferendas da pele.


(Era latente o caminho entre as covas.
De si esperava apenas a imagem.
Distante e consumada, a enterrariam.
banhada de luz, tornar-se-ia seiva.)



IV
(O tempo)


É hora de devorar os vendavais.
No peito, o arrancar de raízes
toma em mãos a seiva
que derrete o aço das veias.

Com o sabor da chuva na boca
aperto as centelhas do silêncio.
Com um suspiro nos olhos,
as trilhas conduzem ao deserto.

Ao final, sustento os vultos
do fazer brilhar:
céu entre folhas secas.
Rostos dissipados no espelho.

Assim amávamos os trilhos:
Festejando o luar,
esperando o momento
de contorcer o tempo
e o relógio dos olhos.

Estraçalhados,
flutuamos nesta correnteza.
Pela delicadeza deste ruído
envoltos em bruma perene.



V
(A batalha)

Oferecido os retratos, impunha suas formas aos poros e extraia
das passagens o dissipar necessário para reavivar os nervos e partilhar sua teia com os cantos esquecidos na guerra.
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Era uma manhã de janeiro em qualquer dia daqueles que passa, e eu via
farrapos ajoelhados e pedindo perdão, sacudindo os braços em busca de
afago. Via os servos e plenos carrascos entre o som da trombeta e o
grito da espada, e dizia "cubram seus ossos, pois o sagrado vazio
agora é preenchido por traças", e eu trazia em meus braços um
leito e uma vidraça para cercar seus rostos. Você tinha somente olhos
para me olhar com solidez em ferro e brasa em pálpebras latejantes, e eu
tinha somente a garganta vazia e o ódio nos pulmões ao contemplar o
sacrifício dos farrapos que juravam e proclamavam a própria liberdade,
que juravam e proclamavam perante a espada e que não tinham senão o grito,
e eu não tinha senão dois olhos e uma vidraça enquanto o grito calava
na boca do som e eu não era quando lhe dizia, mas podia afirmar, eu não
era o que agora eu sou e eu sou o sono dos mendigos na praça e o solo imundo
que aconchega os pés dos meninos de rua e uma solidão nua que
atormenta e escava os ossos sem nunca cessar,
esperando o vento e seu último suspiro, entrincheirado sob as lamparinas
na ausência do mundo.